Já ouviu falar na regra dos 72? Veja como usar nos investimentos



O objetivo de todo investidor ao aplicar seu dinheiro em um ativo financeiro é ver o “bolo” crescer. Para isso, a regra dos 72 vem a ser uma das mais usadas no cálculo da rentabilidade.

Aplicá-la pode ser, inclusive, um fator motivacional para poupar, já que ajuda a visualizar com antecedência o retorno que um investimento terá. Considerando que o brasileiro não tem o hábito de guardar dinheiro muito enraizado, toda ferramenta que estimule esse costume será bem-vinda.

Vamos conhecer mais sobre essa regra simples e de fácil entendimento, então?

Em que consiste a regra dos 72?

Talvez a falta de motivação para fazer um investimento esteja na incerteza em relação ao tempo que ele levará para gerar um retorno mais expressivo. Nesse caso, pode-se dizer que o dobro seria um bom valor.

A regra dos 72 consiste em aplicar uma fórmula baseada em juros compostos para saber em quanto tempo uma aplicação vai precisar para ter seu montante dobrado. Por exemplo: você aplica R$ 5 mil e quer saber quando terá R$ 10 mil em sua conta.

Para isso, a regra é muito simples — tão simples que chega até a ser ignorada. Basta dividir 72 pela taxa de juros anual e pronto, já está feito.

Imagine, então, que esses R$ 5 mil que você quer aplicar terão uma taxa de rentabilidade de 8% a.a. Sendo assim, para saber em quantos anos eles vão se transformar em R$ 10 mil, basta calcular 72/8 = 9 anos.

Por que usá-la em investimentos (ou para empréstimos)?

Além da regra dos 72, outra regra que se costuma empregar em investimentos é que eles devem ter um objetivo. Embora poupar apenas por poupar não seja ruim em si, é sempre recomendável que, ao investir, algum tipo de meta seja vinculada. Pode ser a compra de uma casa, um veículo ou uma viagem, não importa. Quando se tem metas, a tarefa de guardar dinheiro ou fazer uma aplicação passa a ser mais orientada.

Nesse aspecto, a utilização da regra dos 72 é um dos referenciais mais seguros sobre o tempo que você precisará aguardar para que um objetivo possa se concretizar. Ela aponta para uma direção a seguir e o tempo que você levará para atingir um alvo.

Por outro lado, ela é igualmente útil para prever o potencial de uma dívida tomar proporções maiores. Ademais, precisamos sempre lembrar que estamos no Brasil, país onde o endividamento é, desde sempre, um problema crônico. 

Com a pandemia da COVID-19, batemos o recorde nesse preocupante indicador. Em março, 10,2% das famílias brasileiras alegaram não ter como pagar suas contas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Dessa forma, a regra dos 72 é mais uma forma de se prever o impacto de uma dívida no orçamento e, assim, evitar o perigoso efeito bola de neve.

Que vantagens existem em aplicá-la?

Outra preocupação que todo investidor ou tomador de crédito deve ter é em reduzir as incertezas a respeito do seu dinheiro. Essa é, provavelmente, a principal vantagem em aplicar a regra dos 72. Ela fornece um panorama de longo prazo sobre um ativo ou sobre um capital que se pretenda tomar emprestado.

Para empresários e gestores que estão planejando tomar um empréstimo para expandir seus negócios, ela é praticamente indispensável. Afinal, o pagamento da dívida subsequente dependerá do retorno que o crédito deve gerar, que, por sua vez, deverá ser medido de acordo com a evolução dos juros.

Suponha, nesse caso, que sua empresa estima que, se tomar um empréstimo de R$ 50 mil, levará 5 anos para dobrar esse valor na forma de lucros em função desse montante. Agora, imagine que a taxa de juros sobre esse empréstimo seja de 4% a.a. 

Dessa forma, 72/4 = 18 anos, é o tempo que esse empréstimo levaria para dobrar. A conclusão é de que ele vale a pena, já que o tempo que a empresa precisará para garantir o retorno esperado é muito menor.

Qual é o momento certo para utilizar?

Toda e qualquer operação em que estejam envolvidos juros compostos é passível de ser analisada pela regra dos 72. Ela se aplica, pelo que vimos até agora, tanto em investimentos quanto na hora de solicitar crédito.

É bom que se diga que ela pode ser utilizada também por meio de uma tabela, na qual o tempo esperado para o capital dobrar pode ser conhecido previamente. Confira:

Taxa a.a.                    Tempo (em anos)para o           

                                                        Investimento/empréstimo/financiamento                                     

                                                        dobrar

    2%                         36

    3%                         24

    4%                         18

    5%                         14,4

    6%                         12

    10%                        7,2

    15%                        4,8

    20%                        3,6

    30%                        2,4

Como fazer uso dela na prática?

Imagine agora uma outra situação. Você é um empregado de carreira em uma multinacional e, daqui a 10 anos, vai se aposentar. Será a hora do merecido descanso e, para aproveitar em grande estilo, decide fazer uma viagem pelo continente asiático.

Você estima que, para essa empreitada, precisará de R$ 40 mil, já considerando a inflação, estimando o câmbio dólar/real e uma média de juros anuais de 7%

O valor que você tem disponível para aplicar, hoje, é de R$ 20 mil. Logo, pela regra dos 72, a uma taxa de 7% a.a., você levará 10 anos e alguns meses para chegar a esse valor, ou, pelo menos, estará muito perto disso.

Há outras aplicações para a regra dos 72?

Pelos exemplos que vimos ao longo deste conteúdo, o que não faltam são aplicações para a regra dos 72. Tudo vai depender apenas dos objetivos e de conhecer a taxa de juros aplicável. Dica: se essa taxa varia, tente encontrar uma média, tomando como referência períodos anteriores.

Que cuidados devem ser tomados ao utilizá-la?

Embora ajude a antecipar os resultados de uma aplicação, a regra dos 72 não deve ser a única referência na hora de tomar uma decisão. Existem muitos fatores que vêm a influenciar a rentabilidade de um investimento ou o peso dos juros sobre um empréstimo. Assim sendo, procure sempre ter em vista elementos como a inflação, câmbio e outros índices econômicos que possam impactar a rentabilidade.

Use a regra dos 72 com outras ferramentas para redução de riscos e tenha resultados melhores em todos os seus investimentos. Aproveite que está bem informado e compartilhe este material em suas redes sociais!


Luana Dennis

Luana Dennis é analista de conteúdos da WeInvest. Como uma grande entusiasta das transformações que a educação financeira e o investimento inteligente e estratégico podem trazer na vida das pessoas ela visa sempre acompanhar de perto o mercado financeiro para produzir conteúdos de alto padrão.


Posts populares: