Entenda o que é inflação e como ela impacta nos investimentos



O que é inflação quando se tem uma economia relativamente controlada? Embora a conjuntura econômica brasileira ainda não seja a ideal, pelo menos os índices inflacionários permanecem relativamente estáveis há algumas décadas.

É um cenário muito diferente dos anos 80 e 90, período dos mais difíceis, em que os brasileiros sofriam com percentuais estratosféricos. Em 1990, um dos anos que apresentaram as maiores taxas, a inflação chegou a incríveis 4.116,26%!

Ainda que seja um indicador extremamente importante, por impactar o custo de vida e os investimentos, os mecanismos que levam a inflação a variar são pouco conhecidos. Por isso, neste artigo, trouxemos um panorama sobre o processo inflacionário, mostrando a influência que ele exerce em suas finanças. Acompanhe!

O que é inflação?

Inflação vem do verbo inflar. Logo, o termo remete ao gradual ou repentino “inchaço” que o preço de produtos e serviços vem a sofrer. Contudo, a inflação não é um fenômeno espontâneo. 

Ainda que suas causam possam ser difusas, elas podem ser perfeitamente identificadas. Digamos, por exemplo, que o preço de uma commodity como a soja seja aumentado. Nesse caso, em função do impacto que esse aumento provoca na pauta de exportações, toda a economia brasileira será afetada. Como em um efeito cascata, toda atividade que tiver relação com a compra ou venda desse produto sentirá o baque inflacionário.

Como veremos no tópico a seguir, existem muitos outros fatores que podem levar uma economia a inflacionar. De qualquer forma, esse é um processo inevitável, ainda que alguns países como Portugal e Inglaterra apresentem inflação negativa, ou deflação. Isso significa que, de modo geral, o custo de vida diminuiu, o que é bom para a população como um todo. 

Que fatores contribuem para o seu aumento? 

Tal como o aumento no preço de um produto, em um mercado regulado pela lei da oferta e demanda, a escassez de um bem ou serviço pode levar os preços a aumentarem. Outro motivo que pode inflacioná-los é a desorganização nos gastos públicos. Nesse caso, o governo normalmente emite mais papel-moeda, o que, em última análise, leva o dinheiro a perder valor.

Aliás, esse foi um drama enfrentado pelo Brasil nos conturbados anos em que era vítima da hiperinflação. O governo, cada vez mais endividado, interna e externamente, foi forçado a emitir papel-moeda em larga escala para honrar compromissos e pagar credores. 

O resultado foi a aceleração da inflação em níveis sem precedentes, ainda que diversos planos econômicos emergenciais tenham sido lançados para conter o “sangramento”. Felizmente, há alguns anos a inflação brasileira permanece sob controle.

Qual é o contexto atual?

Vimos no segundo tópico que poucos países no mundo registram inflação negativa. Contudo, isso não é uma exclusividade das nações europeias, já que, em setembro, o Brasil também teve a felicidade de registrar deflação de 0,4%.

Deve-se destacar que a entidade responsável por acompanhar a evolução da inflação em nosso país é o IBGE. Ele mede a inflação por meio dos índices que apresentaremos a seguir.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo — IPCA  

Adotado como índice oficial pelo governo, é por ele que é calculada a variação no custo de vida da maior parte da população. Nele, são computados os dados referentes a todas as famílias que percebem rendimentos mensais entre um e 40 salários-mínimos.

Vale também atentar para a forma com que o IBGE chega ao IPCA, que, em outubro, ficou em 0,10%. Para isso, é feita uma pesquisa mensal em 13 regiões urbanas do Brasil, em que são levantados 430 mil preços em 30 mil localidades para avaliar o que é inflação a partir de uma amostra. 

Depois disso, é feito um comparativo com os preços do mês anterior, chegando, então, a um percentual que pode indicar aumento ou deflação nos preços.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor — INPC

Por sua vez, o INPC é um índice mais restrito, já que acompanha a evolução do custo de vida apenas em famílias que ganham entre 1 e 5 salários. É um indicador importante, uma vez que esses são os grupos mais sensíveis ao aumento da inflação, em função da baixa poupança e poder aquisitivo.

Como os investimentos são afetados?

Imagine que você tem uma Caderneta de Poupança que, hoje, está rendendo cerca de 0,3% ao mês. Como vimos, a inflação do último mês de outubro foi de 0,10%, o que quer dizer que o rendimento da poupança foi acima da inflação. No entanto, no mês de novembro a inflação foi de 0,51%, superior ao rendimento da poupança. Nesse caso, confrontando esses percentuais, você verá que sua aplicação perdeu para a inflação.

Essa lógica se aplica a todo e qualquer investimento que você venha a fazer. Ou seja, sempre que medir a rentabilidade, não deixe de incluir no cálculo o peso da inflação. A recomendação é especialmente válida para períodos de inflação alta, em que, naturalmente, os rendimentos tendem a ser corroídos pelo aumento no custo de vida.

Quais são as aplicações mais e menos impactadas?

O INPC existe porque, como vimos, a população de mais baixa renda é a mais prejudicada quando a inflação sai do controle. Isso vale também para os investimentos voltados a essa classe socioeconômica, que passam a render ainda menos. Além da poupança, aplicações como o CDB são diretamente afetados, já que para depósitos mais baixos ele rende cerca de 90% do CDI.

Por outro lado, CDBs que rendem pelo menos 100% do CDI, assim como ativos do tipo LCI e LCA, sofrem menos o impacto inflacionário. Outra aplicação que não é tão afetada pela inflação é o Tesouro Direto IPCA, que tem sua rentabilidade atrelada a esse índice.

Como se proteger da inflação?

Ainda que o aumento dos preços em geral possa ser negativo, o processo inflacionário deve estar sempre no radar. Isso porque, como vimos, ele exerce influência não só no custo de vida, como nos rendimentos das aplicações financeiras como um todo. Por isso, avalie sempre as taxas de juros em seus investimentos e faça sempre pesquisas de preços antes de ir às compras.

Então, ficou claro para você o que é inflação e por que é tão importante acompanhar sua marcha evolutiva? Fique atento, afinal, é a partir dela que você sabe se seus rendimentos perderam ou ganharam poder de compra!

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Luana Dennis

Luana Dennis é analista de conteúdos da WeInvest. Como uma grande entusiasta das transformações que a educação financeira e o investimento inteligente e estratégico podem trazer na vida das pessoas ela visa sempre acompanhar de perto o mercado financeiro para produzir conteúdos de alto padrão.


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