Mudanças na reforma da previdência: como aposentar com qualidade?



As mudanças na reforma da previdência estão a todo vapor, como facilmente se pode comprovar acessando o noticiário na TV ou internet. Em uma notícia recente, por exemplo, foram propostas modificações nos critérios para receber Benefícios de Prestação Continuada (BPC) e nas pensões por morte.

Independentemente do desfecho da reforma, o fato é que os valores das aposentadorias pagos pela Previdência Social vão cair drasticamente. Por isso, é unânime entre especialistas que o investimento em previdência privada é necessário.

Ok, é preciso investir, mas como fazer isso, considerando fatores como idade, rendimentos e perspectivas para o futuro? As respostas para essas e outras questões estão neste artigo, feito para você que se preocupa com o amanhã. Acompanhe!

Que motivos levaram à reforma da previdência?

Para entender melhor as mudanças na reforma da previdência, vale destacar as motivações por trás desse importante movimento. Afinal, ele parte de estudos e dados estatísticos que comprovam o processo gradual de envelhecimento da população brasileira.

Pesquisas do IBGE apontam que, em 2060, um a cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos. Os estudos dizem, ainda, que a partir de 2047 a população brasileira deverá parar de crescer. O que isso significa?

Na prática, uma população com uma alta proporção de idosos tem mais dificuldade para pagar aposentadorias. Isso porque, no Brasil, como em outras partes do mundo, prevalece o regime de mutualidade. Ou seja, a População Economicamente Ativa (PEA) é quem banca a conta dos aposentados. Nada mais justo, afinal, o contribuinte de hoje é o aposentado de amanhã.

A essa altura, você já deve ter concluído que uma população predominante de idosos inevitavelmente tem um peso muito maior para o sistema previdenciário. É por isso que o Poder Legislativo brasileiro tem se empenhado tanto em modificar os critérios para o recebimento de aposentadorias.

Quais as principais mudanças da reforma da previdência?

Hoje, os gastos com aposentadorias representam quase a metade das despesas da União. Isso gerou um quadro de urgência, no qual, sem a reforma da previdência, o governo passará a registrar déficit crescente já a partir deste ano.

É por isso que a reforma em curso tem como principal ponto a mudança nos critérios para se aposentar. Hoje, um brasileiro pode requerer o benefício por dois critérios independentes: a idade ou o tempo de contribuição.

Pelos novos critérios, o que passará a valer será o critério duplo. Ou seja, para se aposentar, serão exigidos idade e tempo mínimo de contribuição. Esse tempo mínimo, pelo texto atual, é de 20 anos e não exclui o critério de idade. Portanto, toda brasileira, a partir da reforma, precisará ter, no mínimo, 62 anos para se aposentar. Para os homens, essa idade é de 65 anos.

O tempo de contribuição, por sua vez, será escalonado até que se atinja o teto, calculado com base na média das 80% maiores contribuições. Para ficar mais claro: quem decidir se aposentar com apenas 20 anos de contribuição, receberá apenas 60% do valor apurado. Por exemplo, se o cálculo do salário de contribuição revelar que o trabalhador teria direito a R$ 1.500,00, ao se aposentar com 20 anos de trabalho esse valor seria de somente R$ 900,00.

Como ela vai impactar autônomos e profissionais liberais?

Claro que esses critérios são válidos para a massa de trabalhadores celetistas que contribuem regularmente para o INSS com parte dos seus salários. É por isso que a reforma também vai afetar outras categorias como militares, policiais, professores e os próprios políticos.

Nesse aspecto, profissionais liberais como advogados, dentistas e médicos, assim como empresários e autônomos, precisam ficar ainda mais atentos. Como são normalmente trabalhadores que não contribuem de forma compulsória, correm o risco de amargar perdas maiores, caso não se planejem.

Isso porque, para muitos deles, os rendimentos percebidos enquanto estão na ativa superam de longe o teto estipulado para a aposentadoria na reforma, que é de R$ 5.839,00. Assim sendo, quanto antes essa classe se mobilizar para garantir uma renda compatível com o seu padrão de vida no futuro, mais tranquilo será o percurso até lá.

O que fazer para se proteger e garantir uma renda no futuro?

A verdade é que, embora a aposentadoria pelo INSS ainda seja importante, será preciso, a partir de agora, investir cada vez mais em planos privados ou em fundos de renda fixa. Desde sempre, a previdência privada é uma opção, independentemente da modalidade.

Seja um plano VGBL ou PGBL, o importante é considerar o quanto você pretende receber no futuro e quanto pode guardar todo mês desde já. Além disso, na Previdência Privada, devem ser consideradas as peculiaridades que cada plano oferece.

Basicamente, a previdência do tipo VGBL é a mais indicada para quem faz declaração de IR simples. Já a PGBL cai melhor para quem tem rendimentos mais altos e declara no modelo completo.

Entenda mais sobre cada um desses modelos aqui.

Outra opção é reservar parte do que ganha para aplicação em fundos como o Tesouro Direto IPCA+. Como seus rendimentos são reajustados sempre acima da inflação, é certo que o poder de compra do dinheiro aplicado será mantido a longo prazo. O mais importante é que você se antecipe, garantindo o quanto antes uma parte de sua renda para que, na melhor idade, não venha a perder qualidade de vida.

Existe uma idade limite para começar a poupar para o futuro?

Não precisa ir muito longe para concluir que todo investimento precoce é sempre o mais indicado. Pais que aplicam dinheiro para seus filhos desde a infância, nesse aspecto, estão corretíssimos e merecem aplausos pela iniciativa.

Por outro lado, quem ainda está trabalhando e já não tem tanto tempo assim pela frente não precisa ficar tão preocupado. Isso porque é possível, ainda a partir dos 40 anos, começar a aplicar para garantir uma aposentadoria mais gorda.

Nessa faixa etária, o recomendável é reservar, pelo menos, 15% da renda mensal para aplicar mensalmente. Para quem tem no máximo 30 anos, esse percentual pode ser de 10%, e quem está começando na vida profissional e tem até 21 anos, pode reservar cerca de 6% da renda para ter uma aposentadoria além da que será paga pelo INSS.

Então, ficou mais claro depois da leitura do artigo o que fazer desde já, considerando as mudanças na reforma da previdência? Como vimos, não tem muito mistério, o mais importante é começar a guardar dinheiro o quanto antes!

Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Então, deixe um comentário!


Luana Dennis

Luana Dennis é analista de conteúdos da WeInvest. Como uma grande entusiasta das transformações que a educação financeira e o investimento inteligente e estratégico podem trazer na vida das pessoas ela visa sempre acompanhar de perto o mercado financeiro para produzir conteúdos de alto padrão.


Posts populares: